Ele tinha 38 anos.
Contam que vivia sozinho há anos, desde que os pais faleceram e se desentendeu com o irmão. Por dinheiro os dois teriam brigado até que não sobrasse mais nada da herança.
Eu o via frequentemente no bar/vendinha da esquina. Embora muitos o frenquentem para consumir cachaça todos eram educados e respeitadores, exigência para fazer parte do local.
Ele nunca me pareceu exatamente bêbado. Era loiro, tinha grandes olhos azuis. Não fosse pela falta de alguns dentes e o inchaço que o álcool acarreta, seria até possível dizer que era bonito.
Contava apenas com os amigos.
Mais havia outras coisas das quais eu, de longe, nem suspeitava. Não era só cigarro e álcool.
O coração deu aviso uma semana antes. Foi para a emergência e voltou. Alarme falso? Não. Alguns dias depois foi encontrado morto, no quartinho onde vivia.
Monday, 14 December 2009
Friday, 27 November 2009
Ela
- É vômito, é? - ela perguntou sorrindo.
A faxineira faz seu trabalho. Os outros aguardam o doutor chamar. Cada qual com sua dor, dúvida, medo.
Ela, ali, limpa. Inclusive vômitos...sorrindo.
Deve ser arrimo de família. Maridos vão embora, todos sabem. Os filhos são sempre da mãe. Ela luta por cada novo par de sapato. Acorda cedo para preparar o café, ajeitar a roupa da escola - uniforme, chamam - que o governo dá.
E ela chega e ainda vai cozinhar o feijão fresco, dar um jeito na casa até o dia da folga de limpar lá para limpar cá.
Mas ela é feliz. Ou não se sabe infeliz.
Ela pergunta, sorrindo, um outro dia: "É vômito, é?".
A faxineira faz seu trabalho. Os outros aguardam o doutor chamar. Cada qual com sua dor, dúvida, medo.
Ela, ali, limpa. Inclusive vômitos...sorrindo.
Deve ser arrimo de família. Maridos vão embora, todos sabem. Os filhos são sempre da mãe. Ela luta por cada novo par de sapato. Acorda cedo para preparar o café, ajeitar a roupa da escola - uniforme, chamam - que o governo dá.
E ela chega e ainda vai cozinhar o feijão fresco, dar um jeito na casa até o dia da folga de limpar lá para limpar cá.
Mas ela é feliz. Ou não se sabe infeliz.
Ela pergunta, sorrindo, um outro dia: "É vômito, é?".
Saturday, 17 October 2009
j'ai zappé
Ainda não consigo me expressar. Dores, prazeres, consolação, desolação, arrependimento, certeza. Nada, nada, nada claro por aqui. Uma enorme cúmulo nimbus insiste em ficar. Eu já falei pra ela ir embora mas ela não me ouve. E tudo no mundo continua acontecendo, embora muito pouca gente se importe. Continuo atenta e tendo dúvidas, idéias, opiniões. Mas aquela sensaçãoa de "who cares?" sobre essas coisas da vida e do mundo, prefiro ficar quieta. Abaixo trechos de uma canção que fala sobre mudança ou o desejo, o esforço e a esperança...de que ela chegue.
un bout de emr, tout s'accélère
jamais moyen de retourner en arrière
un bout de ciel, de mauvaises nouvelles
de l'autre hemisphere...
...dans ma mémoire, seul devant les chars
un humme debout à fait avancer l'histoire
et pourtant rien de différent
la guerre, le gens
tout se brouille devant mes yeux
et je ne comprends plus du tout que mène le jeu...
...alors j'ai zappé
pour que l'image change
et j'ai prié très fort
pour que tout s'arrange
si y a quelqu'un là-haut
faites qu'on reprenne à zéro
Monday, 5 October 2009
2
Ainda não consigo expressar, em palavras, algum sentimento. Já é madrugada e durante o dia todo que passou muitas idéia rondando. Eu queria muito escrever. Queria falar de um lugar lindo de onde meu coração sempre partiu aos pedaços. Queria falar sobre esse coração. Um mero músculo involuntário? Arrítmico...
Nossas emoções se processam no cérebro. Ok, a ciência já esclareceu outras dúvidas também. Ele bate acelerado ou simplesmente bombeia o sangue. Aquela música do Arnaldo Antunes: socorro, não estou sentindo nada... Já disse isso antes e era verdade. Hoje não é mais. Mas também não saberia e se soubesse não descreveria aqui...para os meus poucos leitores. Poucos? Não. Um só. Rafa, você está aí???
Embora Aznavour tenha me feito agradável companhia, deixo que mais uma vez ela, Annie Lennox, fale por mim...enquanto a inspiração não vem:
PRIMITIVE
sweetheart
the sun has set
all red and primitive above our heads
blood stained on an ageless sky
wipe your tears and let the salt stains dry
let them all run dry
all run dry
sweetheart
take me to bed
that's where all our prayers are said
whispered silent in the night
that's how our dreams take flight
let them all go by
all go by
for time will catch us in both hands
to blow away like grains of sand
ashes to ashes, rust to dust
this is what becomes of us
sweetheart
send me to sleep
pray to God our hopes to keep
take our fears and make us strong
lead us to where we belong
all let it all go by
all go by
Sunday, 4 October 2009
1
Ainda "calibrando" a inspiração, faço de Tracy Chapman minhas palavras para hoje. Chega de lamentos e ponderações sobre sentimentos...saiamos um pouco do nosso universo particular.
WHY?
why do babies starve
when there's enough food to feed the world
why then there's so many of us
are people still alone
why are the missiles called peace keepers
when they're aimed to kill
why is a woman still not safe
when she's in her home
love is hate
war is peace
no is yes
and we're all free
but somebody's gonna have to answer
the time is coming soon
amidst all these questions and contradictions
there're some who seek the truth
but somebody's gonna have to answer
the time is coming soon
when the blind remove their blinders
and the speechless speak the truth
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