Faz muito tempo que não escrevo, seja aqui ou em qualquer outro lugar. Muito input...só lendo, lendo.
Confesso que estou analisando minha real capacidade de escrever. Um blog apenas para falar do meu universo particular parece-me muito egoísta. E também uma exposição desnecessária. Ou talvez o reflexo de uma carência de atenção. A necessidade de saber-me lida, compreendida ou não, por outros.
Muitas coisas aconteceram. Não quero falar sobre elas, não quero expor minhas memórias. Seja pela dor que a lembrança causa, seja pela inutilidade dessa mesma dor. Ou o contrário, reviver cada estocada no meu coração, na minha mente, nas minhas crenças.
Talvez eu tenha me tornado desinteressante até para mim mesma pois, ao decidir ignorar certos problemas, não tenho mais vontade de divagar. Coisa que eu fazia com facilidade.
Tenho hoje o coração vazio como um grande, imenso galpão empoeirado. A luz do sol penetra pelos vitrais e dá a ele um ar de...igreja abandonada. Sim, um santuário. Como diz Annie: love is temple, love is a shrine.
Vejo os anos passados com um estranho pesar. Não os vivi. Vivi um único ano, 35 vezes. São 35 primaveras mas também houve 35 invernos. Invernos da alma.
Magoei muita gente. Feri quem mais me amou. Enterrei sonhos. Anulei projetos.
Não me sinto triste porque hoje não sinto nada, exatamente como a canção diz.
É uma sensação estranha e ao mesmo tempo libertária.
Não, não acredito mais no amor. Não quero amar nem ser amada por ninguém. Não tenho talento para isso. E como diz uma outra canção cujo autor não lembro: a solidão me cai bem.
Mesmo assim, de novo citando Annie Lennox, I just want someone to hold.
Voltei.
Tuesday, 2 August 2011
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