Friday, 27 November 2009

Ela

- É vômito, é? - ela perguntou sorrindo.

A faxineira faz seu trabalho. Os outros aguardam o doutor chamar. Cada qual com sua dor, dúvida, medo.

Ela, ali, limpa. Inclusive vômitos...sorrindo.

Deve ser arrimo de família. Maridos vão embora, todos sabem. Os filhos são sempre da mãe. Ela luta por cada novo par de sapato. Acorda cedo para preparar o café, ajeitar a roupa da escola - uniforme, chamam -  que o governo dá.

E ela chega e ainda vai cozinhar o feijão fresco, dar um jeito na casa até o dia da folga de limpar lá para limpar cá.

Mas ela é feliz. Ou não se sabe infeliz.

Ela pergunta, sorrindo, um outro dia:  "É vômito, é?".